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Pablo's house - II

Pablo chegou em casa apressado. Deveria retornar ao trabalho em alguns minutos. Tinha tempo para tomar banho e trocar de roupa. Naquele sábado inaugurava sua casa noturna. Planejara durante muitos anos. Custou a achar a casa certa. Esta contava mais de um século de existência e se parecia com a que morara na infância: muitos quartos, passagens secretas e corredores subterrâneos. Transportou todos os móveis e antiguidades de seu pais de origem e mandou construir cenários para a decoração dos ambientes destinados ao público. A outra parte da casa seria privativa e lá colocaria a antiga mobília e os objetos sagrados. Pablo aparentava ter uns cinqüenta anos, O cabelo espesso grisalho parecia precoce. Era magro, alto, determinado e de olhar confiável. As portas da casa seriam abertas ao público a partir das onze horas da noite. O acesso a sala da pista de dança, seria liberado a meia-noite. O bar era uma espécie de ante-sala. Paredes despretensiosas e claras. O cenário era desprovido de excessos, somente o neon roxo contornando as palavras: Pablo’s bar. Os garçons e garçonetes com olhos delineados de preto vestiam smoking. A vasta sala ao lado seria introduzida através da porta dupla revestida de napa branca. Havia uma eletricidade, um movimento pulsante, como se os objetos e ornamentos dentro dela ansiassem por interagir com as diversas vidas que logo a habitariam por algumas horas, certamente as mais vibrantes.

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