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Mostrando postagens de 2011
Reveses


O mais velho apanhava e não reagia, usava os braços como escudo, o mais novo e mais forte batia sem demonstrar remorso. Os transeuntes paravam para olhar, os motoristas de táxi faziam uma espécie de torcida organizada, se animavam e quase apostaram quando o mais velho pegou uma pedra para atirar no outro. Na rua estreita do centro da cidade, existiam garagens e terminais de ônibus. Os que passavam ficavam revoltados ao ver o mais velho apanhando, não imaginavamo início daquela história.
Tudo começou na época em que Mirtes chegou na cidade em busca de emprego, deixara o filho pequeno na cidade do interior com a mãe e o irmão caçula. Veio com a recomendação feita num bilhete manuscrito pela dona da farmácia, enviado para a irmã que morava na cidade grande e precisava de uma doméstica. O endereço, anotado no mesmo papel da apresentação, amassado e úmido do suor na mão aflita. Ao descer na rodoviária sem saber para onde seguir teve a sorte de encontrar Ovídio, muito prestativo, se o…
A DONA DO CEMITÉRIO
Pequena história juvenil
Esta história é sobre Teca e Lino. Eles resolveram pregar um susto na sua turma de amigos no dia do Halloween. Todos moravam no mesmo bairro numa rua cheia de árvores muito antigas, altas e assustadoras à noite. Sabiam muito bem disso quando resolviam andar de bicicleta quando escurecia. A mais medrosa era a Paulinha ,porque era a menor, Teca e Lino eram valentes e metidos a inteligente, Samanta e greg gostavam de aventuras e sensação de perigo, mas o máximo que faziam era andar de bicicleta de noite e ir a toda a velocidade e travar bem na beira de um barranco que existia no final da rua, se caíssem de lá, certamente ficariam super esfolados e podiam até quebrar a cabeça oca: – dizia Paulinha.
Uma semana antes da festa das bruxas que eles comemoravam como os americanos, se vestindo de monstros e passando nas casas da rua falando: - doçuras ou travessuras e ganhando um monte de doces sempre. Teca teve uma idéia para mudar um pouco a noi…

Pacotes mal embrulhados

Eram sete embaixo da marquise, dispostos em seqüência, da direita para a esquerda, dependendo da direção em que viesse o observador. Surgiram ali de um dia para outro, na rua lateral ao terminal dos ônibus. Havia harmonia entre a disposição deles e o cenário urbano, mas ninguém se dava ao trabalho de fazer qualquer comentário sobre a estética dos embrulhos. O vento do outono perpassava pelas frestas nas partes em que o invólucro não cobria o conteúdo imóvel. Eram quase todos do mesmo tamanho, frágeis, enrolados em texturas de vários matizes e era isto que os diferenciava. As cores mais fortes não os tornavam mais atraentes, talvez porque fossem sujos e exalassem mal cheiro. Eram invisíveis para a maioria, sumidos na paisagem, desconsiderados. Nos dias mais frios escasseavam nos lugares abertos, eram vistos nos abrigos da cidade: viadutos, pontes e prédios abandonados.Dentro dos pacotes havia seres, tinham vida própria, perambulavam pelas ruas a procura de alimentos, balbuciavam alguma…