quarta-feira, 22 de julho de 2009

Pablo's house - parte final

Bonnie resolveu aproximar-se do balcão de madeira do bar. Parou ao lado do homem de cabelo grisalho e pediu um refrigerante. Ele fez sinal para um dos funcionários. Ela perguntou se era o gerente, ele meneando a cabeça respondeu: - Não, sou o dono. Apresentaram-se. Ela comentou ter reparado que o nome e o sotaque dele pareciam estrangeiros. Pablo disse ter vindo da Argentina há alguns anos. A moça meio sem jeito, comenta que até então não tivera coragem de ir a um dos toaletes. Ele se oferece para acompanhá-la. Ela saiu do banheiro assustada com o espelho que refletia a imagem distorcida e todas aquelas plantas trepadeiras. Ele percebendo sua reação falou num tom didático – aquele lugar fora pensado para provocar sensação de medo, mas existiam ambientes agradáveis na casa. Caminhou no corredor na direção oposta de onde tinham vindo, Bonnie sentiu-se convidada.
Perséfone conduz Syd ao final do corredor que dava num pequeno jardim. Dalí avistava-se uma grande porta. Era a entrada para a área privativa. Ela diz que ali poderiam conversar longe da agitação. Sentia que estava chegando o grande momento. Ele também parecia necessitar de algo com urgência, vê que carrega no bolso do casaco a dose junto a seringa descartável. Indigna-se ao perceber que o sangue dele está contaminado. Seu pai deveria ter algo para ela. Olha na direção do corredor e vê Pablo acompanhado de uma linda mulher vestida de negro. Ele faz as apresentações. Bonnie reconhece Syd e controla sua vontade de perguntar por Patrícia. Deveria ter ido embora. Pablo vai em direção a porta grande abrindo-a. Bonnie vai atrás dele, observa o ambiente espaçoso, os móveis antigos, as peças de cerâmica em cima deles, o calendário numa das paredes com a representação cíclica do tempo, uma pedra grande e lisa no formato de uma mesa ao fundo, uma caixa de madeira avermelhada cheia de terra e uma urna funerária indígena de cerâmica corrugada. Pablo fala de cada objeto da sala enquanto serve e oferece um cálice de licor a Bonnie. Ela experimenta a bebida e repete sentindo um calor relaxante provocado pelo conteúdo escuro contido no pequeno copo de prata. O lugar frio e misterioso parece-lhe acolhedor e iluminado. O rosto de Pablo vai ficando muito próximo e depois mais distante, num foco oscilante, as imagens perdem a nitidez. Vê Perséfone sentada no chão e Syd ao seu lado. Sente a língua arrastada quando pergunta que tipo de licor é aquele e com a visão turva enxerga o rapaz entornando um cálice gêmeo. Pablo responde que não é licor e sim uma bebida usada em rituais, mas Bonnie não consegue ouvir.
Perséfone ajoelha-se em frente a mesa de pedra e invoca os espíritos da natureza, enquanto Pablo despe Bonnie e coloca seu corpo em cima da plataforma lisa. Ela se debruça sobre a moça, inclina a cabeça e abocanha o pescoço fazendo uma profunda cissura.
Syd dorme. Ficará assim até que esteja limpo para o próximo ritual.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Pablo's house

Pablo conseguiu aprontar-se em poucos minutos. Chegou na danceteria antes de todos. Organizou os funcionários e deu as últimas instruções. Na hora em que foram abertas as portas, ele estava vestido à rigor. Depois colocou algo mais esportivo e sentou-se no bar como se fosse um dos freqüentadores, não conseguia tirar os olhos da morena de cabelos longos, que na pista de dança, se movia ao ritmo da música oriental, parecendo uma cobra hipnotizadora.
Perséfone saiu de seu apartamento, no centro da cidade, antes das dez horas. Passou em duas casas noturnas por puro hábito. Observou o movimento ainda fraco. Antes das onze horas deveria estar no Pablo’s. Não concordou com o nome quando seu pai lhe revelou. Disse que parecia coisa de aculturado. O argumento dele foi relevante: - Neste pais tudo que está grafado em inglês recebe maior credibilidade. Ela ficou pensando se ele não se incomodava em ter descaracterizado o próprio nome, mas depois pensou que não podiam se dar a esses luxos. Eram apenas sobreviventes. A gerência da casa noturna ficara sob a responsabilidade dela. Passara meses criando os detalhes da decoração do lugar.
Não sabia mais se era vítima da situação que se estabelecera em sua vida desde muito cedo. Tudo começou com a primeira manifestação de maturação de seu corpo. Passou a entrar em contato e absorver uma nova realidade. Os seus sentidos ficaram mais aguçados e o seu contato com a terra mais necessário. Entrou em sintonia com os elementos da natureza e passou a entender que ela se apresentava através de ciclos que resultavam em vida e morte. Ao mesmo tempo em que passou a entender um pouco dos mistérios da existência, sentiu em seu próprio organismo uma debilidade crescente, as forças se esvaiam e nenhum alimento as recuperava. Depois de vários exames médicos e nenhum diagnóstico, seu pai lhe falou em sacrifícios humanos e do seu legado materno. Sua mãe precisava de doses diárias de sangue. Ela não agüentou essa situação que achava ser uma maldição e pediu que a deixasse morrer quando começaram a ser perseguidos na pequena cidade do interior da Argentina da qual fugiram. Ela não suportou a viagem, o frio do inverno e a inanição.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Pablo's house a saga continua

Patricia viu Syd, assim que ele entrou no Pablo’s house, aproximou-se e convidou-o para dançar. Depois de percorrer alguns lugares na cidade, ele chegara ali, porque um amigo lhe dissera que iria gostar. Sentia necessidade de algo mais forte do que a cerveja oferecida por ela, pediu uma tequila, depois pediu que uma garçonete lhe indicasse o caminho dos banheiros, não gostou quando ela seguiu seus passos. Mas teve que admitir que não encontraria se ela não mostrasse. As luzes do caminho oscilavam e no banheiro olhou seu reflexo distorcido no espelho e sentiu ter perdido a identidade. Aquele lugar era cheio de truques. Olhou para baixo e o piso parecia ondulante,aquilo era real, estava tonto. Molhou os pulsos e esperou passar. Não imaginava quanto tempo ficara ali, quando saiu não viu Patrícia que entrara no toalete feminino. Esbarrou numa moça morena, cabelos curtos e picotados. Ela sorriu e ele pediu desculpas. Olhou para os lados constatando que a outra cansara de esperar. Perséfone apresentou-se e perguntou se ele estava desacompanhado. Ele respondeu: - Sim, surpreso e ficou ainda mais quando ela convidou-o para irem a um lugar mais tranqüilo. Ficava no final do corredor, na direção oposta a da sala de dança. Syd achou tudo aquilo muito interessante.