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Mostrando postagens de Maio, 2009

Aparição II - terceira parte - Cont

Depois desse dia Ella nunca mais foi ao cais do porto. Não comentou o acontecido e até se recusava a pensar sobre aquilo que não conseguia entender. Vicente desapareceu. Começou a levar a vida de forma mais tranqüila, sem sobressaltos, dedicando-se aos estudos para as provas finais e ao concurso do vestibular. Não imaginava que voltaria a ter aquela visão no corredor do prédio em que morava. Ele estava ali. O que estava querendo? Quem era? Vicente, o homem esquilo ou um dos outros? Só poderia ser Vicente que estava querendo amedrontá-la como fez quando foi no apartamento dele. Não sabia o que fazer, não podia contar com ninguém e o que era pior, ninguém acreditaria nela. A única solução era voltar a área portuária e descobrir tudo sozinha, mesmo que isso custasse a sua vida. O medo impediu que cumprisse o seu plano, até não conseguir sair do apartamento à noite, porque na escuridão do corredor voltava a ver o espectro luminoso.

Aparição II - terceira parte

Mesmo sendo um dia de semana, Ella decidiu ir ao bar do cais do porto, a noite se insinuava fria e a cena parecia repetir-se: o lugar quase deserto e o homem esquilo cruzando o seu caminho como se estivesse atrasado para um compromisso importante. Passou direto pela porta do bar seguindo em direção ao rio. Ella achou que o lugar ainda estava fechado e forçou a porta achando que não abriria. Ficou surpresa quando ela escancarou facilmente. Apesar da escuridão pôde ver que o balcão, as mesas e cadeiras haviam sumido. Nada mais do que fora um bar estava ali. O lugar abandonado cheirava a mofo e parecia estar fechado há muito tempo. Ella não acreditava, a porta era a mesma, pintada de preto, não podia estar enganada. Andou entre outros armazéns para ter certeza e não encontrou nenhuma porta como aquela. O lugar era aquele naquele acesso ao porto, os portões eram identificados com as letras do alfabeto e o seu era o A. Olhou na direção da orla do rio e viu Vicente conversando com o homem e…

Aparição II - final segunda parte

O riso excessivo e quase sem som fez com que parecesse parte de uma dublagem grotesca. Ella sentia-se num daqueles cenários em que há vários espelhos que distorcem a imagem. Nada parece ser o que realmente é. A sensação de medo que só espreitava se fez presente. Não havia ali qualquer coisa que pudesse lhe dar segurança a não ser a porta da saída. Vicente levou algum tempo para parar com aquilo que mais parecia um espasmo, depois olhou para Ella e se desculpou. Mudou de assunto e passou a agir com tranquilidade e equilíbrio, mas além daquilo, ele demonstrava certa frieza e distanciamento. Quando o rapaz foi na cozinha pegar um copo de água, Ella puxou distraída o puxador da gaveta de um balcão de madeira, próximo ao sofá da sala, quando abriu, olhou sem pensar, e viu que estava vazia, uma idéia passou a habitar seus pensamentos e fez com que abrisse todas as gavetas e portas do móvel para constatar que estava vazio, antes que Vicente retornasse a sala. Depois entornou o copo de uma só…