terça-feira, 18 de agosto de 2009

Primeiras bromélias

Penny fazia o trajeto da escola para casa em vinte minutos, se não parasse para observar as novas plantas surgidas no caminho e admirar as conhecidas árvores frondosas. Havia decidido desde o seu primeiro dia de aula: seria botânica. Há mais de um ano fazia o percurso da casa para a escola sozinha. Não trilhava o caminho ensinado por seu pai, descobrira atalhos e clareiras escondidas entre as árvores do bosque que se aprofundava na paisagem. Existia uma avenida principal e ela deveria seguir o trilho de terra que a margeava – dissera sua mãe, mas Penny adorava descobrir coisas novas e a natureza era algo que a fascinava.
Como a claridade permanecia por mais tempo no verão, conseguia chegar em casa depois do horário das aulas sem levar bronca, no inverno, mesmo saindo mais cedo, não conseguia chegar sem que a noite houvesse se pronunciado. Gostava tanto do bosque que para ela já se tornara um lugar sagrado, várias vezes, levantava da cama bem cedo nas manhãs de sábado para explorar os recantos desconhecidos. Num dia enquanto olhava uma bromélia fixada num canto úmido descoberto por uma nesga de sol, ouviu o barulho de um galho sendo quebrado seguido do som de passos, aquilo fez com que tirasse sua atenção da beleza colorida do novo ser encontrado. Poderia ser um andarilho ou seu pai que encontrara seu esconderijo. Ficou olhando na direção de onde escutara o estalido e nada aconteceu, o vento continuou a balançar de leve as ramagens dos pequenos arbustos. O silêncio instituiu-se durante alguns segundos para em seguida dar lugar a ladainha de um pequeno pássaro respondida por outro pousado num galho próximo. Penny ficou em estado de alerta e o instinto de sobrevivência acionado, não entendia, mas sabia que alguma coisa até então não percebida por ela, fazia parte daquele lugar. Voltou para casa antes dos pais levantarem e resolveu esquecer do fato.
Na semana seguinte saiu um período mais cedo da escola e decidiu, já que o sol parecia tão intenso naquele pedaço verde de paisagem, ficar um pouco por lá, fazer um piquenique com a merenda que não havia comido. Sentou numa pedra aquecida pelo calor do sol e ficou olhando os pequenos seres dali, enquanto comia o sanduíche. As borboletas e os pássaros sobrevoando o espaço, os lagartos saídos das tocas deitados no chão aproveitavam o calor do dia. Desta vez Penny não entrou no bosque, ficou próxima da entrada e avistava dali a estrada. Decidiu ir embora depois de ter esvaziado o pote da merenda. Parou para ver um estranho movimento no interior do bosque e a revoada de aves agitando-se na copa das árvores. O ar morno deu lugar ao vento frio, fazendo os bichos interromperem o banho de sol.
Penny saiu correndo quando ouviu o ruído dos galhos sendo quebrados enquanto o vento ia passando entre os espaços maiores simulando o caminhar humano.