Pular para o conteúdo principal

Aparição II - primeira parte


E ai vai a história: Ella ia andando pelo corredor do prédio, era final de tarde e as janelas basculantes absorviam a luminosidade do verão. Aquele calor todo fazia com que se sentisse agoniada, lenta, sem vontade de percorrer o trajeto que a levaria ao apartamento de Victor, seu colega de cursinho. Tinha que estudar aquelas malditas substâncias iônicas, conteúdo dado nas aulas de química, tinha que passar no vestibular da universidade federal e terminar de cursar o ensino médio. Era muita coisa para um só ano, muita pressão e pouca vontade.


Tudo parecia tranqüilo quando passava por ali de dia. As escadas, as paredes sólidas de granito cinza. Mas quando anoitecia, na escuridão de uma noite sem lua, as coisas eram muito diferentes. Não queria ficar pensando naquilo, não era hora e além do mais, o Victor, era normalmente cético. Foi o que disse quando perguntou se acreditava nas histórias de Maupassant - Era apenas ficção. Ella discordou, mas não falou sobre sua crença naquilo que alguns chamavam de sobrenatural.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bromas       Naquela manhã os meninos resolveram trancar as meninas dentro da sala de aula, para isso,  enviaram os nerds  à sala da coordenação de disciplina para pegar uma cópia da chave no armário.  Atraíram elas mostrando um vídeo no telefone de Cássio. Ele disse que dera uns amassos na Brenda, a menina mais popular da sala, atrás do prédio do laboratório de ciências. Quando todas estavam agrupadas para ver o vídeo falso, eles saíram e trancaram a porta.  Correram para fora da sala, carregando a sensação de vitória. Enquanto riam do que haviam aprontado, o estrondo tomou conta de todo o andar abaixo  e o fogo foi ocupando todos os cantos inflamáveis. Os meninos viraram urdidura no meio da destruição. As meninas, antes, entretidas procurando no telefone as imagens, correram  para a porta quando ouviram o barulho, não conseguiram abri-la. Foram para as janelas e viram o fogo escalando as paredes. Não tinham ideia de que o pré...
A casa calada      Depois de um ano vivendo ali, a mulher percebera que havia sentimentos escondidos atrás da pintura das paredes. Os arranjos de rosas artificiais e o quadro com as begonhas murchas deixados pela outra mulher não foram suficientes para convencê-la da existência de tanto pesar amordaçado. Quando ela chorava sem saber o motivo achava que eram as suas agruras não identificadas.      Um dia soube que a casa sangrava de dor, que lamentava uma perda e tornava infelizes seus novos moradores. Viu o vermelho sangue borrando a tinta pastel da parede da sala e que as flores presentes no ambiente poderiam servir para um lindo arranjo fúnebre. Estavam mortas.       Restava saber quanto tempo os sobreviventes conseguiriam viver nela. O homem e a mulher sensitiva. Ela começara a conhecer a casa silenciosa, ali não havia estalidos noturnos. Não sabia o tipo de conexão que tinham, sentia o passado daquele lugar, as...
Adoradores de túmulos         Eles adoravam artistas que se tornaram famosos por causa do seu talento e estilo de vida,   eram mitos mortos, foram enterrados em lugares e épocas diferentes, homens e mulheres. Os adoradores eram um grupo também misto no que se refere ao gênero, mas as idades eram próximas e tenras. Achavam que eram viajantes do passado que encontraram uma brecha no tempo que os trouxe para o futuro, eram nostálgicos, gostavam de roupas antigas e da época do romantismo literário. Não se consideravam góticos,mas gostavam de visitar cemitérios e   realizar saraus noturnos, como não podiam ir ao túmulo de cada ídolo, faziam suas homenagens em qualquer “campo santo” evocando personagens finadas. Cultuavam Álvares de Azevedo, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jim Morrison e Amy Winehouse, não parecia haver critério na classificação, apenas seguiam suas emoções. Não elegeram Kurt Cobain, porque a votação não foi unânime, alguns acharam que...