Pular para o conteúdo principal

Postagens

A DONA DO CEMITÉRIO Pequena história juvenil Esta história é sobre Teca e Lino. Eles resolveram pregar um susto na sua turma de amigos no dia do Halloween. Todos moravam no mesmo bairro numa rua cheia de árvores muito antigas, altas e assustadoras à noite. Sabiam muito bem disso quando resolviam andar de bicicleta quando escurecia. A mais medrosa era a Paulinha ,porque era a menor, Teca e Lino eram valentes e metidos a inteligente, Samanta e greg gostavam de aventuras e sensação de perigo, mas o máximo que faziam era andar de bicicleta de noite e ir a toda a velocidade e travar bem na beira de um barranco que existia no final da rua, se caíssem de lá, certamente ficariam super esfolados e podiam até quebrar a cabeça oca: – dizia Paulinha. Uma semana antes da festa das bruxas que eles comemoravam como os americanos, se vestindo de monstros e passando nas casas da rua falando: - doçuras ou travessuras e ganhando um monte de doces sempre. Teca teve uma idéia para mudar um pouco a ...

Pacotes mal embrulhados

Eram sete embaixo da marquise, dispostos em seqüência, da direita para a esquerda, dependendo da direção em que viesse o observador. Surgiram ali de um dia para outro, na rua lateral ao terminal dos ônibus. Havia harmonia entre a disposição deles e o cenário urbano, mas ninguém se dava ao trabalho de fazer qualquer comentário sobre a estética dos embrulhos. O vento do outono perpassava pelas frestas nas partes em que o invólucro não cobria o conteúdo imóvel. Eram quase todos do mesmo tamanho, frágeis, enrolados em texturas de vários matizes e era isto que os diferenciava. As cores mais fortes não os tornavam mais atraentes, talvez porque fossem sujos e exalassem mal cheiro. Eram invisíveis para a maioria, sumidos na paisagem, desconsiderados. Nos dias mais frios escasseavam nos lugares abertos, eram vistos nos abrigos da cidade: viadutos, pontes e prédios abandonados.Dentro dos pacotes havia seres, tinham vida própria, perambulavam pelas ruas a procura de alimentos, balbuciavam algumas...

Ensaio sobre um lugar

       Bairro com ruas arborizadas e enorme população canina, talvez com igual índice da felina, mas os gatos se expõem menos, não saindo com os seus donos para passear. Sobrados antigos se impondo no meio das construções novas e frágeis. Nos bares, estudantes e aspirantes a artista. Nas ruas mais antigas, na parte mais baixa da cidade, persistem os templos nos quais são realizados os rituais da época do neolítico. O som dos tambores reverbera nos pequenos becos. Museus enterrados debaixo de passeios revestidos, além da construção em estilo colonial português pertencente a uma antiga chácara. Junkies, mendigos e catadores de lixo reciclável se misturam aos passantes. Relatos de autobiografias em mesas dispostas no espaço das calçadas ensolaradas protegidas por lona de plástico colorida, motivados por copos gelados de cerveja pedida no bar próximo a esquina da rua que homenageia um fato histórico. Em cada narrativa há um pedaço de ficção, mas existe liberdade...

Emergências

Solitários, casais e até famílias inteiras, filhos levados pela mão de seus pais vestidos com cuidado - as meninas com os cabelos presos num rabo de cavalo apertado e os meninos exibindo um corte de fios ouriçados e endurecidos de gel - invadem a recepção iluminada com luz fluorescente e paredes gelo. É domingo ensolarado, hora da visita. Os ponteiros do relógio movendo-se num outro ritmo . No saguão do hospital muitos esperam a chamada para atendimento pelo número da senha. O andamento do expediente se arrasta até o meio do dia quando a sala da triagem fica vazia. Nos corredores poucos transitam. Uma mulher aguarda sentada junto a entrada de um dos setores de atendimento. Pensa: As doenças dariam uma trégua na hora do almoço, e os acidentes acometeriam os distraídos ou sem sorte após a sobremesa?

Essência

As calçadas ainda estão molhadas, as pessoas conversam nas portas de suas casas e prédios, enquanto a chuva dá uma trégua. Uma mulher fala animadamente com um homem velho e de voz experiente. No horizonte, o sol quer despontar ainda, no final de tarde. Alguém olha pela janela num espaço entreaberto na cortina. Acabara de acordar, a peça permanece escura. Não conseguira dormir a noite toda, sofria de insônia. Era assim, um ser notívago. Despertara com a barulhada alegre dos pássaros que habitavam o coqueiro antigo próximo a sua janela. Um vento qualquer, um pouco mais forte poderia derrubá-lo. Não saia em noites de chuva, preferia as frias e os dias cinzas e secos. Levanta, apesar das dores nas pernas e braços. Sentia o efeito da última batalha. Vivia das guerras travadas com os transgressores de vida noturna. Não lembrava se tivera uma família e nem tinha pessoas próximas. Um dia, como numa espécie de pesadelo, acordou ali naquela cama no quarto envolto na penumbra. Nunca mais voltou p...

Primeiras bromélias

Penny fazia o trajeto da escola para casa em vinte minutos, se não parasse para observar as novas plantas surgidas no caminho e admirar as conhecidas árvores frondosas. Havia decidido desde o seu primeiro dia de aula: seria botânica. Há mais de um ano fazia o percurso da casa para a escola sozinha. Não trilhava o caminho ensinado por seu pai, descobrira atalhos e clareiras escondidas entre as árvores do bosque que se aprofundava na paisagem. Existia uma avenida principal e ela deveria seguir o trilho de terra que a margeava – dissera sua mãe, mas Penny adorava descobrir coisas novas e a natureza era algo que a fascinava. Como a claridade permanecia por mais tempo no verão, conseguia chegar em casa depois do horário das aulas sem levar bronca, no inverno, mesmo saindo mais cedo, não conseguia chegar sem que a noite houvesse se pronunciado. Gostava tanto do bosque que para ela já se tornara um lugar sagrado, várias vezes, levantava da cama bem cedo nas manhãs de sábado para explorar...

Pablo's house - parte final

Bonnie resolveu aproximar-se do balcão de madeira do bar. Parou ao lado do homem de cabelo grisalho e pediu um refrigerante. Ele fez sinal para um dos funcionários. Ela perguntou se era o gerente, ele meneando a cabeça respondeu: - Não, sou o dono. Apresentaram-se. Ela comentou ter reparado que o nome e o sotaque dele pareciam estrangeiros. Pablo disse ter vindo da Argentina há alguns anos. A moça meio sem jeito, comenta que até então não tivera coragem de ir a um dos toaletes. Ele se oferece para acompanhá-la. Ela saiu do banheiro assustada com o espelho que refletia a imagem distorcida e todas aquelas plantas trepadeiras. Ele percebendo sua reação falou num tom didático – aquele lugar fora pensado para provocar sensação de medo, mas existiam ambientes agradáveis na casa. Caminhou no corredor na direção oposta de onde tinham vindo, Bonnie sentiu-se convidada. Perséfone conduz Syd ao final do corredor que dava num pequeno jardim. Dalí avistava-se uma grande porta. Era a entrada par...